«O BOM LIVRO É AQUELE QUE SE ABRE COM INTERESSE E SE FECHA COM PROVEITO»

AMOS ALCOTT

John Lennon Nunca Morreu

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

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Sinopse:«Este livro apresenta sete contos que conjugam fantasia, magia, sobrenatural e improvável.Entrando directamente na mente e nas emoções das personagens, cada história procura ser, ao mesmo tempo, visão imaginária e reflexo de sentimentos.» (Perdoem-me não colocar a breve sinopse de cada um dos contos, mas poderão sempre vê-la no blog dedicado à obra, aqui, assim como obter qualquer outra informação relativamente à mesma.)





Eu normalmente tenho um problema com os contos… sabem-me sempre a pouco e quando me cativam fico com pena não ver a história mais desenvolvida!
Neste caso, em alguns dos contos isso acabou por acontecer, no entanto, em outros achei que estava exactamente no ponto.

São então sete contos, sete histórias!
Poderia falar um pouco sobre cada um deles em particular, mas a verdade é que me seria difícil não me repetir ou dar grandes spoilers. E por isso, farei apenas uma apreciação geral… destacando ainda alguns contos!

Como disse, são então sete contos, sete histórias e sete mensagens! A verdade é que encontrei na simplicidade dos contos sempre uma mensagem! De forma mais implícita ou de forma mais explícita ela estava lá. Uma mensagem, uma lição de vida ou para a vida! Ficamos então a saber sobre Amor, sobre Sacrifício, sobre a Vida, sobre o Tempo, sobre Consequências e sobre muito mais! Acho que a autora tinha algumas mensagens a passar e digo desde já que chegaram muito bem a este lado!

Gostei imenso de ler os contos sobre a Natureza, sobre a Vida e o Amor (que de certa forma facilmente se interligam e formam um todo), pois encontrei neles uma grande força nas palavras e personagens. E se no inicio do livro este é dedicado a Juliet Marillier por ser alguém que inspira a autora, eu, pelo menos, posso dizer que em certos aspectos consegui ver isso =)

Em particular, posso dizer que o conto de que gostei menos foi “E nada mais importa”, seguido do “John Lennon Nunca Morreu”. Sim, eu sei. É o grande conto que dá o título ao livro, mas a verdade é que não me cativaram. Achei a base semelhante assim como a mensagem e foi talvez por isso que foi destes dois de que menos gostei, por se assemelharem. Contudo, não posso apontar nenhum “defeito” em particular. A temática em si simplesmente não me cativou.
Por outro lado, o conto de que mais gostei foi “Pequenos Demónios”. Este conto embora que Fantasia, assim como os restantes, é para mim, o que de certo ponto de vista, menos de fantástico tem, tornando-se até bem real! Foi simples, foi negro e foi muito bom!
O segundo preferido foi “Espelhos”. Também gostei imenso. Fez-me lembrar Oscar Wilde, por seu lado. ^^ Uma verdade sobre a humanidade! Liked it!

Acho que não tenho muito a acrescentar. Gostei! Foram sete momentos muito bem passados e sete mensagens a relembrar!
Acho realmente que a Catarina ganhou com isso! Criar uma linha curiosa e difícil de definir entre a realidade e a fantasia, tornando certos momentos tão longe mas tão perto. Eu pelo menos senti isso!


Ah, e mais uma coisinha: Achei de facto muito curioso o factor Tempo presente em todos ou quase todos os contos. De uma forma ou de outra ele está lá! Ou por um recuo no tempo através da tecnologia, ou por um passado alternativo, ou apenas por um recorrer a uma memória e conhecermos a história através de uma analepse. Pode não parecer nada, mas a mim foi algo que realmente me saltou à vista e me intrigou. Mas a verdade é que gostei! ^^

Resumindo... Pode não ser uma obra-prima, mas são Bons contos! Gostei muito de passar por estes mundos da Catarina =)

Divulgação: Donzela Sagrada, de Diana Tavares

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

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Donzela Sagrada - O Segredo de Thunderland

Chegou a hora… Hana Warren, uma rapariga do nosso mundo, festeja o seu 14º aniversário com a sua família. Depois do aparecimento da Aurora Boreal no céu, Hana é transportada para outro mundo, um mundo onde a mitologia é a realidade. Neste mundo, Hana descobre que é a Horae Justiceira, uma guerreira dos deuses, destinada a combater as criaturas das trevas e a proteger ambos os mundos. Juntamente com Prue Geller, a Horae Discípula, Hana inicia uma viagem pelo misterioso reino de Thunderland, procurando uma forma de cumprir o seu destino e voltar para o seu mundo. Mas Thunderland tem um segredo sombrio que pode destruir todos os mundos…e que mudará a vida de Hana para sempre.



Sobre a autora:
Diana Tavares tem 18 anos e vive em Almada, com os pais e o irmão, desde que nasceu. Estuda neste momento na Universidade Lusófona, em Lisboa. Participou no concurso literário "Projecto Português Com Vida" da qual foi merecedora de uma menção honrosa na categoria de crónicas e curtas narrativas. "DONZELA SAGRADA" é a sua série de estreia, que contará com dois livros.




Que tal vos parece? =D

O preço do livro é 15€ e podem aquirir um exemplar na fnac por exemplo... ou pedir um exemplar autografado contactando a autora através do seguinte mail: horaediana@gmail.com

Lançamento: John Lennon Nunca Morreu, e outros contos fantásticos, de Catarina Coelho

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

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Lembram-se em Dezembro quando vos falei sobre este livro? (aqui)

Pois bem, há novidades!

O lançamento está marcado e confirmado para dia 13 de Fevereiro, já este Domingo, na Bertrand do Fórum Montijo, pelas 17 horas!

Estão ainda disponíveis alguns excertos dos contos, que vos deixo aqui para poderem espreitar:

(Mas antes disso! Relembro que todas estas informações estão também disponíveis no blogue dedicado à obra (aqui), que também poderão seguir através do Facebook (aqui))

John Lennon Nunca Morreu:
Lembrava-se perfeitamente da primeira vez em que tinha tido contacto com a música de John Lennon e dos Beatles. As memórias estavam muito claras na sua cabeça: conseguia ver os lugares, imaginar as pessoas, recordar as sensações.
Na altura, tinha doze anos e começara a interessar-se a sério pela música. Os seus pais queriam oferecer-lhe uma prenda de aniversário e ele pedira para o levarem a uma loja de CDs. Queria procurar por lá algo que lhe agradasse realmente, algo diferente da música que geralmente passava nas rádios. Tinha bem presente na memória a loja a que o tinham levado: uma loja pequena, como as que havia na altura e que agora já não existiam. Não demorara muito a reparar num CD que estava em destaque: uma antologia da carreira a solo de John Lennon. Tinha pedido para ouvir e, tal como era costume nessas pequenas lojas, a vendedora pusera o CD a tocar numa aparelhagem. Enquanto a senhora passava rapidamente de canção em canção, para que ficasse com uma ideia de como era o CD, ele absorvia os escassos minutos de cada música que lhe era permitido ouvir, não conseguindo deixar de pensar “É isto, é mesmo isto que procurava!”.
Também se recordava do impacto que cada canção tivera em si, quando, já em casa, ouvira todo o CD várias vezes. Não demorara a comprar o seu primeiro álbum dos Beatles e a seguir vieram todos os outros da banda, bem como os álbuns dos membros do grupo, nas suas carreiras a solo. Cada canção fora para ele uma descoberta maravilhosa, uma fonte de inspiração, um refúgio, uma companhia e, por vezes, até um consolo. A música dos Beatles tinha-o marcado como nenhuma outra alguma vez fora capaz de o fazer.

A troca:
Quando fecho os olhos e me concentro, a minha mente oferece-me um presente de várias imagens, as quais ficaram nela gravadas de tal forma que é impossível pensar que um dia se desvanecerão. São quadros vivos, cheios de movimento e sons, como se eu estivesse novamente a viver aqueles momentos da minha infância. Neles, vejo a minha irmã gémea a correr ao meu lado, num dia de Primavera, avançando em direcção ao coração da floresta. Os cabelos cor de fogo soltos, acariciados pela brisa, o rosto corado da corrida, o vestido leve, que usávamos para os
nossos passeios na floresta, esvoaçando à sua volta. Por cima de nós, os ramos floridos das robustas árvores, que o sol suave fazia brilhar e de onde desciam os sons das aves e dos esquilos. Também a vejo junto ao rio, observando, com os seus olhos pensativos, as águas calmas, espelho da imensidão que nos rodeava, e deitada nos tapetes de flores, sentindo o seu aroma.
Eu e Stella tivemos a sorte de crescer junto à floresta e partilhar com ela as belezas da Natureza. O nosso pai era dono de uma imensidão de terras e nós vivíamos naquela que incluía aquele tesouro de árvores, flores, plantas e animais. A nossa casa situava-se na orla do mesmo.
Até aos dezoito anos, a nossa vida foi repleta de paz e, posso dizê-lo com toda a certeza, éramos muito felizes. Na nossa infância, como é costume acontecer entre gémeos, não só tínhamos personalidades muito parecidas, como éramos muito unidas. No entanto, à medida que fomos crescendo, as diferenças entre nós foram aumentando. Stella tornou-se uma jovem silenciosa, fechada no seu próprio mundo, ao qual nem eu tinha grande acesso, mas via-se nos seus olhos e nas suas expressões que se sentia bem consigo própria e com a sua vida.
Pouco depois de completarmos dezoito anos, porém, houve um acontecimento que mudou tudo para sempre.


O Sacrifício:
Faz parte da tradição do meu povo contar histórias. Lendas sobre a nossa vinda para aqui, acontecimentos que tiveram lugar quando já estávamos nesta terra e tantas outras histórias que fazem brilhar os olhos dos mais pequenos e arrancam sorrisos aos anciãos, à noite, em volta das lareiras. Eu nunca tive muito jeito para fazer o papel de contadora. No entanto, há uma história dentro de mim que, sinto, chegou a altura de sair, abrir as asas e voar, como uma ave que passou muito tempo em cativeiro. Durante vários anos, escondi esta história no interior de mim mesma. Agora, penso, já não faz sentido e, se há uma história que julgo que conseguirei contar, é esta, uma história sobre a minha família.
Tudo se passou há muito tempo, quando eu era jovem. No entanto, lembro-me do dia em que tudo começou, como se estivesse a ver os sítios e os acontecimentos a desenrolarem-se perante os meus olhos. Estávamos no começo da Primavera e os campos à volta da fortaleza resplandeciam em toda a sua beleza, verdes e brilhantes ao suave sol primaveril. Um pouco mais longe, as árvores do bosque tinham-se enchido de delicadas flores brancas. Eu encontrava-me numa das torres da fortaleza, um dos meus locais preferidos. Dali era possível ver tudo o que me rodeava. Estava a coser, mas, de vez em quando, fazia uma pausa no meu trabalho e observava a paisagem. Foi numa dessas paragens que o vi pela primeira vez, acompanhado por dois dos homens do meu pai, que era o senhor daqueles domínios. Caminhavam na direcção da fortaleza. Questionei-me quem seria e por que razão os guardas, apesar de não o trazerem preso, se mantinham bem perto dele, como se se sentissem desconfiados. Não demoraria muito a descobrir. Nessa noite, fiquei a saber as respostas a estas perguntas.

E nada mais importa:
O ténue luar dessa noite iluminava a estação de comboios quando ela chegou e se dirigiu às máquinas onde se compravam os bilhetes. A jovem olhou para cima e, durante uns momentos, fixou a lua com os seus olhos melancólicos. Esse mesmo olhar perdido dispersou-se em seguida pelo elevado número de pessoas que esperavam impacientemente o último comboio, o qual partiria dali a vinte minutos, à meia-noite. Suspirou profundamente, comprou o bilhete e encaminhou-se para um canto solitário da estação, onde se sentou e se prontificou a esperar. Não tinha pressa. Não havia nada à sua espera em casa. Nem lá nem em qualquer outro lugar.
Os mesmos olhos que há momentos tinham fixado a lua pousavam agora, com um brilho triste, no traçado dos carris, e, na realidade, não observavam nada, estavam virados para dentro, contemplando somente a angústia interior. O que estava ela a fazer ali? O que ia fazer para casa? Tudo parecia tão sem sentido… Já não sabia há quanto tempo se arrastava pelo mundo sem saber porquê nem para quê. Arrastava-se simplesmente, sobrevivia à passagem
dos dias, como se estes fossem fardos pesados que tinha de carregar… Não eram raras as ocasiões em que não aguentava mais a opressão dentro do seu peito, o frio interior, como se dentro dela estivesse permanentemente a nevar.
Estava perdida neste labirinto de pensamentos, quando se apercebeu de que as pessoas que estavam mais perto dela se moviam apressadamente para longe dali. Ergueu a cabeça e viu caminhar para junto de si um homem, com roupas velhas, cabelo comprido e emaranhado, o rosto e as mãos sujas. Transportava um cesto de verga muito usado. No primeiro instante, sentiu um ligeiro receio.

Boas leituras!

A Um Deus Desconhecido, de John Steinbeck

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

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Sinopse: «As antigas crenças pagãs, as grandes epopeias gregas e os relatos da Bíblia servem de base a este romance extraordinário, que Steinbeck demorou cinco longos anos a escrever. Ao dar cumprimento àquele que sempre fora um dos grandes desejos do pai, criar uma quinta próspera na Califórnia, Joseph Wayne acaba por vir a acreditar que uma das mais belas árvores dessa quinta incorporou o espírito do seu progenitor. Os irmãos e respectivas famílias, que foram viver com ele, beneficiam dos êxitos e da prosperidade de Joseph, e a quinta vai-se de facto desenvolvendo - até um dos irmãos, assustado pelas suas crenças pagãs, decidir cortar a árvore, o que faz com que a doença e a fome se abatam de súbito sobre todos eles. A um Deus Desconhecido (1933) é um romance quase místico, que tem por tema central o modo como os homens tentam controlar as forças da natureza, e ao mesmo tempo compreender a sua relação com Deus e com o inconsciente.»


“A Um Deus Desconhecido” é a segunda obra que leio de John Steinbeck. O primeiro que li foi “A Pérola”, um livro muito pequeno e muito simples, de que gostei bastante.

“A Um Deus Desconhecido” é algo de que para dizer a verdade não estava bem à espera de encontrar, é uma espécie de simplicidade complexa… Como é que hei-de explicar?

Através da história da família Wayne, ficamos a conhecer inúmeras personagens entre elas Burton, Thomas, Rama, Elizabeth e Joseph. Personagens fortes e complexas; cada uma delas com um propósito, cada uma delas com um significado.
Joseph é o coração da família, e de certa forma, embora que numa procura constante, acaba por ser tudo e por tudo ser ele! Acaba por compreender o que não é exactamente compreensível aos Homens, e ouvir sem serem necessárias palavras. Vê algo que não é visível e alcança algo que não é tangível, e como tal, embora muitas questões tenham sido postas, muitas respostas tenham sido dadas e embora nos faça de facto pensar sinto que não me completou e não me satisfez completamente.
Isto é, reconheço a mestria e a beleza da escrita de Steinbeck mas sinto que desta vez não me alcançou da mesma maneira que “A Pérola”. Quer dizer, o problema é que não me consegui ligar ao protagonista e dessa forma houve algumas coisas que acho que falharam.
No fim, considero-o um bom livro, mas acho que talvez não fosse o meu Momento para o ler…

Mas eis uma das passagens que mais me disse:

“(…) a vida não pode ser cortada repentinamente. Uma pessoa não pode estar morta enquanto as coisas que alterou não tiverem morrido. Os efeitos que provocou constituem a única prova de que esteve viva. Enquanto se conservar uma recordação, ainda que dolorosa, uma pessoa não pode ser posta de parte, morta.”